O Olhar Para O Estranho e O Obscuro


Nascido em 1939 em Nova York, Joel-Peter Witkin desde cedo mostrou-se interessado por fotografia e com especial preferência por mostrar tudo o que não queremos ver, tudo o que a nossa cultura judaico-cristã classifica como feio, grotesco e bizarro.


Ainda criança testemunhou um acidente onde a cabeça decepada de uma menina rolou até seus pés e o olhar já sem vida dela jamais sairia de sua mente. Já adulto e fotógrafo alistou-se como voluntário para registrar a Guerra do Vietnã. 


Seu olhar frio para a morte, bem como para tudo o que a sociedade classifica como aberrações, é a essência de seu trabalho que consiste em cenários meticulosamente preparados para abrigar cadáveres, corpos deformados ou mutilados, anomalias e perversões sexuais, entre outros.


A influência da pintura barroca, bem como das religiões judaica e católica é nítida em seus trabalhos mas a complexidade de suas imagens vai muito além das referências estéticas e buscam nosso fetiche inconsciente pelo obscuro, por tudo aquilo que fomos educados para temer e repudiar.


Como ele mesmo diz: "A Arte que não aponta para algum ideal para sempre além dos sentidos, não é arte de forma alguma."











Somos Todos Trogloditas


O poeta russo Vladimir Maiakóvski disse que "A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo", no entanto, muitas vezes o reflexo no espelho da arte é fundamental para perceber o que e o quanto é necessário mudar.
E é isso o que mostra e faz o filme "The Square", do sueco Ruben Östlund, expondo de forma brilhante, cruel e realista a hipocrisia da sociedade contemporânea.


O filme se passa na Suécia, país nórdico conhecido pela qualidade de vida, pelo alto nível cultural, pela educação de seu povo, pela ausência de preconceitos... sim, só que não. Para quem pensa que é só aqui no 3º mundo que as pessoas são capazes de apedrejar museus, "The Square" mostra que a hipocrisia e a ignorância é uma epidemia de proporções globais.
Destruindo aquela imagem vendida de país onde tudo é perfeito, "The Square" mostra também as diferenças sociais, a violência e o preconceito que também existem na Suécia. As cenas dos moradores de rua e as que se passam nos subúrbios de Estocolmo são reveladoras. Como disse o nosso poeta Arnaldo Antunes, "miséria é miséria em qualquer canto".


Mas o foco principal de Ruben Östlund é a burguesia. E ele não poupa ninguém. Mostra o papel da publicidade na propagação da violência, a imbecilidade dos novos profissionais de imprensa e a deturpação da informação, a mediocridade das classes sociais pretensamente culta e educadas....
Há cenas hilárias, como uma que mostra os convidados de uma vernissage desesperados para atacar o buffet; cenas emblemáticas, como a da ativista no centro de Estocolmo perguntando aos pedestres se eles querem salvar uma vida, ao que eles respondem negativamente; e algumas cenas antológicas, como a cena do casal que briga pela posse do preservativo cheio de esperma após o sexo.


O ponto alto do filme, no entanto é a performance de um artista durante um elegante jantar oferecido aos mantenedores de um importante museu de arte contemporânea. O musculoso Terry Notary representa uma mistura do Incrível Hulk (versão nórdica) com um troglodita e promove ataques cada vez mais violentos aos convidados. A tensão da cena vai crescendo vertiginosamente, deixando os presentes encurralados, com medo, de cabeça baixa e em silêncio tentando não chamar a atenção do selvagem. Quando a situação foge completamente ao controle dos organizadores e o artista parece ter sido dominado pelo personagem, a performance alcança seu objetivo: revelar os trogloditas disfarçados sob smokings e vestidos de seda.


Essa cena (inspirada em uma performance do artista Oleg Kulik em 1990) é também uma profunda reflexão sobre os limites da arte. E depois de assisti-la confirmo minha convicção de que a arte não pode ter limites, principalmente porque a nossa hipocrisia não tem limites.
Qualquer pessoa com o mínimo de coerência e bom senso, sai do cinema com um reforçado sentimento de vergonha do alheio e de si próprio. Estamos todos nós ali representados em nossa mesquinhez, nossa pequenez e nossa hipocrisia. A proposta do diretor ao nos colocar de frente para esse espelho é nos obrigar a reconhecer isso, assim como faz o persoangem principal, o diretor do museu (brilhantemente interpretado pelo charmoso Claes Bang), que ao final da história assume e se desculpa por sua própria mediocridade.


Candidato ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, "The Square" é um filme obrigatório para os dias de hoje, sobretudo no Brasil onde a mediocridade e a hipocrisia nem mais se disfarçam.



O Porco de Leiner



Um porco empalhado com um presunto acorrentado ao pescoço e preso em um engradado de madeira, foi com essa obra que o artista Nelson Leiner se inscreveu no o 4º Salão de Artes de Brasília, em 1967, e entrou para história da arte contemporânea brasileira.


Sempre com um humor sarcástico e crítico, Leiner usou a imagem do porco empalhado e preso no engradado para fazer referência à ditadura militar e, ao mesmo tempo, para cutucar todo o sistema de arte. Ele publicamente questionou o juri e a imprensa sobre os critérios adotados para a considerar o objeto como arte, exigindo uma explicação.


A obra, que hoje faz parte do acervo da Pinacote do Estado de São Paulo, e é um dos destaques da exposição "Vanguarda Brasileira dos Anos 1960 – Coleção Roger Wright", ainda provoca as mesmas reações que em 1967. Muitos a olham e perguntam se "aquilo" é arte.
Além do porco enjaulado de Leiner, integram a exposição obras de Hélio Oiticica, Lygia Clark, Wesley Duke Lee, Claudio Tozzi, Rubens Gerchman e Antonio Henrique Amaral, entre outros. O conjunto nos deixa uma triste sensação de que a arte brasileira pouco se desenvolveu depois dos anos 60.
E a reação de parte do público diante do "Porco Empalhado Com Presunto Pendurado No Pescoço" nos dá a certeza a cultura do brasileiro, sobretudo em relação às artes, não evoluiu nada em 50 anos.



A Jangada da Medusa


O naufrágio da fragata francesa "La Méduse", em 1816, comandada pelo inexperiente visconde Hugues Duroy de Chaumereys, então com 25 anos, foi uma grande tragédia cujo os relatos dos sobreviventes foram explorados durante meses pelos jornais da França e principalmente pelos opositores do rei Luis XVIII, considerado culpado pela nomeação do comandante.
A fragata tinha como destino o Senegal, com o objetivo de tomar posse da colônia e levando a bordo o governador nomeado, sua família e um grande número de oficiais e soldados entre os 400 tripulantes da embarcação.
Erros de navegação atribuídos à arrogância do incompetente comandante levaram o navio a encalhar em banco de corais e diante do iminente naufrágio o comandante, o governador e sua família e os oficiais de alta patente lotaram os botes salva vidas, insuficientes para levar todos os tripulantes.


Para as 164 pessoas que sobraram foi construído às pressas e de forma precária uma balsa/jangada de madeira, de 8 x 15 metros, que seria rebocada pelos botes. A foi lotada por 147 pessoas comuns. Outros 17 decidiram continuar no navio e esperar algum milagre. No entanto, assim que todos estavam no mar, as cordas que uniam a balsa/jangada aos botes foram cortadas, deixando os 147 ocupantes da frágil embarcação entregues à própria sorte em um mar agitado.
O desespero tomou conta dos ocupantes da balsa, gerando brigas violentas e conflitos que durante 13 dias reduziram sua tripulação para apenas 15 homens que enfrentaram a fome, a sede, as tempestades, os delírios, a violência e passaram por experiências como o canibalismo e chegaram a beber a própria urina.
Desses 15 tripulantes da balsa/jangada resgatados com vida, 5 morreram logo em seguida ao salvamento e apenas 10 restaram para contar a história que chocou a França e tocou especialmente o jovem e talentoso pintor Jean-Louis André Théodore Géricault (1791 - 1824) que dedicou 1 ano de sua vida para a pintura de uma tela que hoje se encontra exposta no Louvre: A Jangada da Medusa.
Théodore Géricault entrevistou longamente alguns sobreviventes, leu tudo o que foi publicado sobre o naufrágio e, obcecado pela obra que pretendia produzir, visitou hospitais e necrotérios onde realizou estudos sobre doentes e cadáveres, chegando até a levar uma cabeça decepada e pedaços de corpos do necrotério para o seu estúdio.



Durante os 12 meses que levou para concluir a tela, Géricault trancou-se em sua casa, trabalhando frenéticamente durante todo o dia, para aproveitar a luz natural. Apenas os amigos e os modelos eram recebidos. Ele chegou a raspar a cabeça para não ser incomodado por seus próprios cabelos.
A tela de 4,91 x 7,16 metros foi exibida no Salão de Paris, em 1819 e causou grande polêmica e não foi pela nu frontal masculino. Para a moral e os bons costumes da França naquela época, muito pior que um pênis flácido exposto  era a figura de um negro, no centro do quadro, empunhando a bandeira da França.




Muito além de retratar a tragédia em si, Théodore Géricault viu no fato a possibilidade de produzir uma obra carregada de questões políticas. Na tela os sobreviventes do naufrágio, abandonados à deviva por seu comandante que preferiu salvar a elite que estava na fragata, representa o povo que luta terrivelmente para sobreviver e se encontra nessa situação também por ter sido abandonado por seus governantes. O negro que figura em destaque na composição da cena é um protesto contra o governo francês que apoiava abertamente o tráfico e a escravização.
Três dias antes da abertura do Salão de Paris, o rei Luiz XVIII visitou a exposição e depois de analisar a obra disse ao artista uma frase de duplo sentido: "Monsieur Géricault, o seu naufrágio certamente não é um desastre".
Apesar de todas as suas qualidades técnicas e das inovações propostas naquela obra (como o quase nenhum destaque ao mar revolto), os críticos não receberam bem "A Jangada da Medusa", pelas questões políticas nela inserida mas principalmente por ter um negro como protagonista.
A obra no entanto encontrou grande repercussão em outros países da Europa fazendo de Théodore Géricault um nome importante na luta abolicionista.

The Clock, O Tempo Real


Sejam quais forem os recursos para narrar a passagem do tempo nas histórias, a sensação que sempre ficou para mim é a de lacunas ou a supressão de fatos ou detalhes que nunca saberemos.
Mesmo em séries de TV, onde a nossa relação com a obra se estende por bem mais que 120 minutos, nunca estaremos presente em todos os momentos do dia dos personagens.


No cinema, assim como na vida, o tempo é sempre sacrificado para a construção da nossa história. No final o que fica mesmo são os fatos mais relevantes e as trivialidades caem no abismo do esquecimento. Não resistem ao tempo.


O artista visual Christian MarClay, em sua video-instalação "The Clock", inverte esse "roteiro", juntando em uma edição primorosa milhares de fragmentos de filmes e privilegiando a contagem do tempo sem contar uma história. Ou contando várias ao mesmo tempo, visto que cada cena pode nos remeter a um filme, um ator ou um lugar.


Com 24 horas de duração, "The Clock" é uma experiência cinematográfica onde todos os fragmentos de filmes exibem de alguma forma a hora rigorosamente sincronizada com a hora real do lugar onde está sendo exibida. Ou seja, se você entrar na sala de exibição exatamente às 12h05, na tela estará uma cena de "Gigolô Americano" em que o relógio mostra exatamente esse horário.
Trata-se de uma outra maneira de interpretar a expressão "tempo real", muito popular na nossa atualidade. O artista levou vários anos pesquisando, compilando, colando e editando esse trabalho que nos deixa completamente fascinados com a sutileza e complexidade deste trabalho, bem como nos faz refletir sobre essa relação que temos com o tempo.


E essa relação também varia de acordo com a nossa idade. Pela reação que observei no público confortavelmente instalado em elegantes sofás brancos, os mais velhos apreciam a obra por mais tempo e com mais interesse que os mais jovens.
Notei também cinéfilos em disputas pessoais tentando reconhecer o maior número de cenas possível. O que não deixa de ser um excelente exercício de auto-avaliação da cultura cinematográfica de cada um.

Meu amigo Fabio Teixeira e eu entrando para ver "The Clock", a vídeo-instalação de Christian MarClay.

A obra de Christian Marclay está em exibição no novo e belíssimo prédio do Instituto Moreira Salles, em São Paulo, até 19 de novembro, de terça a domingo, das 10h às 20h. Projeções especiais das 10h de sábado às 20h de domingo, ininterruptas.



O Instituto Moreira Salles fica na Avenida Paulista, 2424.

O Homem, O Bicho

Visitando a maravilhosa exposição "Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright", na Pinacoteca do Estado de São Paulo, me deparei com uma das esculturas da série "Bichos", de Lygia Clark, obra que 56 anos depois de sua criação foi o centro de uma grande polêmica justamente por seu objetivo principal, a manipulação (neste caso, em todos os sentidos da palavra).



Perguntei ao segurança da sala (mesmo já sabendo a resposta) se eu poderia tocar na obra e interagir com ela. A resposta foi um "não" quase assustado e ele não tirou os olhos de mim durante todo o tempo que permaneci na exposição.



Manipular significa usar, manusear, dar forma, alterar, modificar. Mas também significa influenciar, controlar, inventar, forjar, falsificar. O desejo de manipular manifesta-se nos seres humanos desde o Homo Habilis, nosso ancestral que viveu a 2,2 milhões de anos atrás e que descobriu que podia manipular elementos e criar ferramentas.
A manipulação de elementos da natureza provavelmente foi um dos mais signiticativos passos na evolução do homem e o Homo Sapiens, que surgiu a apenas 350 mil anos, elevou esse dom de manipular a um outro patamar. 
Com a capacidade de raciocínio abstrato, da linguagem e vivendo em comunidades, ele deixa de manipular apenas o ambiente para controlar também outros seres vivos e principalmente seus iguais. Manipular tornou-se então uma forma de poder. Para o bem e para o mal.



Ao criar a série de esculturas Bichos, em 1961, Lygia Clark - um dos principais nomes do nosso modernismo - torna-se a primeira artista brasileira a fazer uma obra de arte interativa. O objetivo era justamente tirar o público do confortável confinamento de espectador, colocando-o com agente modificador da obra.
Composta por formas geométricas simples unidas por dobradiças, as esculturas da série "Bichos" podem assumir as mais variadas formas dependendo da vontade de quem as manipula. 
Em 1961 Lygia já era considerada uma das maiores artistas brasileiras e as esculturas da série "Bichos" foram adquiridas por colecionadores importantes e exibidas nos maiores museus e galerias do mundo, mas sem a possibilidade de interatividade do público. O que também não deixa de ser uma forma de manipulação.



O coreógrafo Wagner Schwartz, inspirado por essa limitação artística imposta à obra e objetivando resgatar a proposta de Lygia Clark, criou a performance "La Bête", usando seu próprio corpo nú no lugar da escultura, para ser manipulado pelo público e também mostrando como nós também somos manipulados de muitas e muitas formas diferentes.
A nudez de Schwartz era uma referência a vulnerabilidade da obra e do ser humano, mas foi transformada em uma ameaça por grupos conservadores e moralistas, que criaram e viralizaram falsas notícias com o objetivo de manipular a opinião pública contra a liberdade de expressão artística.



Contudo, toda a polêmica gerada mostrou a atualidade da obra de Lygia Clark e a necessidade de discutir o tema "manipulação". Se em pleno século XXI a nudez pura e simples, sem nenhuma conotação erótica ou sexual, ainda causa tanta histeria, fica nítido o retrocesso cultural/intelectual da nossa sociedade, nos levando de volta à nossa condição mais primitiva, a do homem bicho, pré-histórico.



A proibição de tocar na obra, como foi a concepção original pela artista, não só torna a obra incompleta como também é prova desse retrocesso.




Um Aronofsky by von Trier


O polêmico Darren Aronofsky (diretor de filmes como "Requiem Para Um Sonho", "O Lutador", "A Fonte da Vida", "Cisne Negro' e "Noé") nunca foi um dos meus preferidos mas me surpreendeu muito com seu mais recente, brilhante e controverso trabalho, "Mother".


Juntando textos bíblicos, Lars von Trier, um elenco poderoso e uma direção de arte primorosa, Aronofsy produziu uma verdadeira obra de arte falando sobre o papel da raça humana na destruição do planeta.
E como uma verdadeira obra de arte contemporânea, "Mother" vem sofrendo grande rejeição. O que realmente me espanta, já que a história, apesar da narrativa tensa e intensa, teoricamente é conhecida por grande parte do público.


 Assisti o filme em uma sala completamente lotada numa noite de domingo. O público acompanhou o filme em silêncio, como que tentando entender. Alguns desistiram no meio da história e era possível ver telas de celulares acesas em vários pontos.


Quando o filme acabou, voltando exatamente para seu início, 90% dos silenciosos expectadores se levantaram proferindo ofensas contra a película. Se sentiam ofendidos por não entenderem nada do que tinham acabado de ver. "Sem pé e sem cabeça" foi a frase mais ouvida após a sessão.
Realmente, para quem foi assistir a história de um casal que recebe a visita de estranhos e começa a vivenciar fatos bizarros, o filme é totalmente sem pé e sem cabeça. Mas o Gênesis e o Apocalipse estavam ali, bem na cara de todo mundo: Deus, a Mãe Terra, Adão e Eva, Abel e Caim, a maçã, Jesus e falas inteiras extraídas da bíblia.


E quem conseguiu estabelecer a relação da história com o que acontece de verdade com o planeta hoje, entendeu tudo! As relações humanas, a intolerância, o desrespeito, o fanatismo, a idolatria, a violência, as guerras, a destruição, o caos absoluto... e no meio disso tudo a vida e o amor tentando sobreviver.


A bíblia e dramas psicológicos são recorrentes nos filmes de Aronofsky, que tem formação em cinema e antropologia social. Mas "Mother" foge completamente a tudo o que o diretor fez anteriormente e mostrava um grande conflito entre o comercial palatável e o artístico duro de engolir, sem conseguir agradar nenhum dos dois públicos.
Em "Mother", ele assume o duro de engolir e se joga sem medo em um filme que pode ser o seu grande divisor de águas, marcando uma grande virada em sua carreira.


O elenco todo está impecável. Javier Bardem, surge sem sotaque e com uma interpretação precisa de um Deus frio e ao mesmo tempo fascinado pelo fervilhar das emoções e sentimentos. Ed Harris e Michelle Pfeiffer, foram escolhas perfeitas para o insólito casal Adão e Eva que faz a trama acontecer.
Mas a atuação de Jeniffer Lawrence, cada vez mais bela e mais surpreendente como atriz, joga "Mother" em um outro patamar. A força dramática e a delicadeza que a personagem exige, não seria encontrada facilmente em outra atriz da atualidade.


A riqueza de detalhes é outro ponto de destaque no filme. Sutilezas como a ferida que aparece nas costas do personagem de Ed Harris (referência clara à costela arrancada de Adão para a criação de Eva) e os 3 andares da casa que na última parte se transformam em céu, purgatório e inferno, são detalhes que tornam "Mother" um filme para querer ver de novo.


E acho que o Lars von Trier vai adorar, apesar do final esperançoso.