Ladrão Que Rouba Ladrão...



...Não tem mais 100 anos de perdão.
Depois do bafafá envolvendo a empresária Eliana Tranchesi, dona da Daslu, outro grande nome do mercado de luxo no Brasil vem estampar os noticiários pelos mesmos motivos. Tânia Bulhões, dona de uma loja de perfumes e outra de decoração de interiores que levam seu nome, está sendo indiciada por sonegação de impostos, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, entre outras.
O esquema de importação fraudulenta, ao que tudo indica, estabelece uma forte ligação entre as duas marcas. A Daslu e a Tânia Bulhões Home tinham negócios com a importadora By Brasil, com subfaturamento de até 70% na importação de produtos de luxo.
Muita poeira ainda será levantada no caso Tânia Bulhões. A Receita Federal está investigando uma lista de clientes da loja que compravam sem nota ou com um valor declarado abaixo do valor pago. Dizem que a tal lista é mais do que V.I.P., é um verdadeiro compêndio de nomes de celebridades e milhornários paulistanos.
Se esse povo todo for parar na cadeia... Acho que logo aparecerá um empreendedor visionário construindo um xilindró de luxo no Morumbi (com vista para o Parque Burle Marx) para recolher somente o crème de la crème da bandidagem de São Paulo.
Seria o fim da impunidade no Brasil? Não sou tão otimista. Além da impunidade a justiça brasileira precisa acabar com a imunidade de que gozam os políticos. Dos que constroem castelos aos que empregam dezenas de familiares vagabundos, dos desviam dinheiro dos cofres públicos aos que conseguem inocentar filhos marginais que incendeiam índios.

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Não, ela não é Billie Holiday



Lembro de quando Win Wenders lançou o fabuloso filme "Paris, Texas". Eu era um molecão e até então nem imaginava que no interior do Texas poderia haver uma cidade chamada Paris. Na época o título do filme me soava muito engraçado.
Tão engraçado quanto agora, aos 46 anos de idade, descobri Atenas nos cafundós da Georgia. Uma cidadezinha de 100 mil habitantes, conhecida (?!) por suas universidades e onde nasceu uma das mais apaixonantes cantoras da atualidade.
O nome dela é Madeleine Peyroux e, embora seja cultuada como uma cantora de jazz, ela canta mesmo é blues. E como canta!
Ok, sua voz e seu jeitinho de interpretar tem uma pitada de Billie Holiday, mas é só uma pitada mesmo. Madeleine tem timbre próprio e muita personalidade. Essa pitadinha de Billie Holiday deve ter vindo dos tempos em que ela, aos 16 anos, rodou a Europa com o The Lost Wandering Blues and Jazz Band, cantando Billie, Ella Fitzgerald e Bessie Smith.
Antes disso Madeleine integrou o grupo The Riverboat Shufflers, grupo boêmio do Quartier Latin, em Paris. Começou passando o chapéu e depois de algum tempo passou a cantar.
Toda essa vivência precoce está bem nítida em Dreamland, seu primeiro álbum, lançado em 1996. Com 3 canções inéditas e vários covers de clássicos do blues, Madeleine canta acompanhada por um time feras do jazz como o pianista Cyrus Chestnut, o baterista Léon Parker, os guitarristas Vernon Reid e Marc Ribot e o saxofonista/clarinetista James Carter.
Depois desse disco, Madeleine voltou ao anonimato, cantando nas ruas de Paris e fazendo pequenos concertos em bares e cafés, geralmente sem usar seu nome verdadeiro. Continuou também a trabalhar com outros artistas, entre eles William Galison, com quem gravou o EP "Got You on My Mind", que era vendido apenas em seus shows.
Em 2004 veio à luz seu segundo álbum "Careless Love". Com apenas uma canção original (Don't Wait Too Long) e covers de Leonard Cohen, Elliot Smith, Bob Dylan e Hank Williams entre outros, o disco alcançou grande sucesso, chegando aos primeiros lugares no Reino Unido.
E quando todo mundo (inclusive sua gravadora) achava que ela ia tomar chá de sumiço novamente, em 2006 Madeleine lançou Half of The Perfect World, outro álbum brilhante com covers de Leonard Cohen, Tom Waits e Serge Gainsburg. Este terceiro álbum trouxe uma Madeleine meio folk, dando ainda mais personalidade ao seu trabalho.
Este ano ela lançou Bare Bones, seu primeiro álbum só com composições próprias. Uma tremenda reviravolta! Sem perder a pegada do blues e do folk, ela aparece agora quase pop, quase comercial, mas sem perder a elegância e o talento. Bare Bones não decepciona, muto pelo contrário, é quase uma sequência lógica no trabalho de uma artista que não se rende às imposições do mercado e nem perde a realidade do contato com as ruas, onde a arte acontece de forma espontânea.
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Eli "Paperboy" Reed




Nem só de vozes femininas vive a nova safra de soul singers. Joss Stone, Amy Winehouse e Sharon Jones são verdadeiras divas de uma geração que deu sangue novo à soul music mas Eli “Paperboy” Reed é a voz masculina que dá ao soul uma nova alma.
Eli é branquelo, baixinho e nasceu em Boston. Deve ter sido algum erro de reencarnação mas que o destino logo tratou de consertar fazendo-o ir para o Mississipi e colocando-o em contato com clássicos da Motown dos anos 60 e 70 (James Brown, Otis Redding, Solomon Burke, Al Green e Marvin Gaye) e desenvolver seu talento, que veio naturalmente aclopado a uma voz poderosa.
Sem querer reinventar a roda ou imitar seus ídolos Eli "Paperboy" Reed canta a soul music como ela deve e merece ser cantada: com sentimento, com personalidade e com alma. Com uma banda igualmente talentosa e cheia de bossa chamada The True Loves, Eli faz um barulho bom de ouvir e que mexe com a gente.
Seu primeiro disco é uma verdadeira raridade. Foi lançado em 2005 de forma independente, ou seja, com tiragem pequena e má distribuição. No final de 2008 veio o segundo disco, "Roll With You", desta vez lançado pela gravadora Q Division.
As 11 faixas que compõem "Roll With You" são matadoras. Não tem como destacar uma ou outra música como sendo a melhor. Mas eu não posso deixar de citar "Stake Your Claim", a faixa que abre o disco e que foi o meu primeiro contato com esse entregador de jornal. Um contato que nunca vou esquecer.

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