A Ópera do Malandro, de André Moraes


Uma das coisas mais engraçadas e inteligentes produzidas pelo cinema brasileiro, o curta Ópera do Mallandro, dirigido por André Moraes e produzido por Lázaro Ramos , estreou no My Space em 2008 depois de arrasar em vários festivais.
Embora o título remeta a uma das obras primas de Chico Buarque, a Ópera do Mallandro de André Moraes é uma homenagem a Sérgio Mallandro e a um milhão de ícones da cultura pop dos anos 80.
A história mostra um garoto interpretado por Michel Joelsas (O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias) que, para passar de ano, tem quinze minutos para escrever uma redação super original. Esse é o gancho que nos faz embarcar numa viagem hilária, com direito a Michael Jackson, Flashdance, Sidney Magal, Fofão, Twisted Sister, Break Dance, Bozo e tudo aquilo que ningém mais merece mas a gente já mereceu!
O elenco é um desfile de grandes nomes: Wagner Moura, Lázaro Ramos, Jair de Oliveira, Lúcio Mauro Filho, Angelo Paes Leme, Luciano Szafir e Taís Araújo, além de Sidney Magall e o próprio Sérgio Mallandro.
A trilha sonora tem todos os "grandes sucessos" de Mallandro repaginados, desde "Vem Fazer a Glu Glu" até as brega classics "Bilu Tetéia" e "Farofa Fá Fá", que já tinham sido sucesso nos anos 70 com seu autor, Mauro Celso.
André Moraes já é bastante conhecido no cinema nacional como compositor. Sua música está presente em produções como No Coração dos Deuses, Lisbela e o Prisioneiro, Meu Tio Matou um Cara e O Coronel e o Lobisomem. Ele também participou como ator dos filmes Cazuza e Os Desafinados e dirigiu o curta O Destino de Miguel.
Realmente é uma pena que os cinemas brasileiros não tenham a cultura de exibir curtas antes dos filmes principais, ao invés daquela chuva de traillers, a maioria ridículos, e comerciais que não pagamos para assistir e somos obrigados a engolir.

Assita:
https://myspace.com/andremoraes/video/-pera-do-mallandro/33888477

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Drogas: A Hipocrisia ou a Legalização


Dia desses, após um daqueles almoços dominicais que reunem toda a família, provoquei um tumulto ao dizer que já fumei maconha. Quem diria que aos 50 anos, com todo um histórico de rebeldia e uma atitude sempre contrária aos modelos impostos pelo meio, eu ainda poderia escandalizar alguém com uma declaração tão banal?
Entre silêncios constrangidos, olhares de espanto e manifestações indignadas, quase usei a saída ridícula de Bill Clinton dizendo "fumei mas não traguei". Mas para quê mentir? E então, relembrando meus tempos de ovelha negra, fiquei apenas rindo e curtindo o incêndio no circo.
Confesso que a reação deminha família me causou um certo espanto. Acho mesmo que fiquei decepcionado. É óbvio que uma pessoa como eu, que viveu tudo o que eu vivi, já expeimentou pelo menos um tipo de droga. Eu não apenas experimentei, usei por muito tempo e, claro, não foi só maconha.
Mas a hipocrisia não é uma carcterística exclusiva da minha família. A sociedade como um todo tem a hipocrisia como cultura e prefere fingir que não sabe e os próprios usuários não assumem que o são. Assim todos fazem de conta que não há um problema, que não é um problema.
Para mim nunca foi exatamente um problema pois sou, acho, uma daquelas pessoas imunes ao vício ou, justamente por me recusar a fazer as coisas iguais a todo mundo, nunca me permiti cair de cabeça no consumo de drogas. E menos ainda me permiti gastar um tostão que fosse comprando um beck ou qualquer outra coisa. Nunca precisei. Nos meios em que convivia sempre houveram amigos ricos e/ou generosos.
Também nunca coloquei meus pés em uma biqueira ou favela para comprar. E talvez seja esse o segredo da minha "imunidade". Penso que a adrenalina gerada pela "busca" do produto muitas vezes é igual ou superior ao "prazer" gerado pelo consumo. Aquela sensaçãozinha deliciosa de estar fazendo algo errado... Sem contar que a exposição à outras drogas é maior quando se passa a frequentar o sub-mundo, a ter contato direto com traficantes.
Por isso sou totalmente favorável à legalização da maconha. É óbvio que a grande maioria dos usuários darão preferência por comprar seu beckzinho em um lugar legalizado, confiando na qualidade e procedência do "bagulho", talvez com preço tabelado e sem correr o risco de ir parar na cadeia. O cigarro e o álcool são assim (embora eu ache o álcool um problema social muito maior que a canabis) e nenhum fumante ou apreciador do álcool precisa se expor ao submundo e, embora exista, o tráfico de cigarros e bebidas não interessa aos que comandam o mundo do crime.
Também é necessário desmistificar as drogas, tanto do glamour quanto de seu lado exageradamente negro. A desinformação cria mentiras e as mentiras geram curiosos. Não adianta dizer a seu filho que todos os usuários de drogas acabam na cracolândia ou na bandidagem. Ele sabe que não é verdade. A maioria dos usuários de regulares de drogas que eu conheço (e não são poucos), são profissionais competentes, alguns muito bem sucedidos, casados, exemplares pais de família, etc e tal.
As chances de desinteresse pelas drogas, experimentando ou não, aumentam quando diminui a hipocrisia sobre o assunto. Ingenuidade dos pais, a exemplo da minha família, achar que seus filhos não experimentarão alguma droga em algum momento. Elas estão sempre à mão, como sempre estiveram, nas festinhas, nas casas de amigos, nas baladas e nas escolas. E, acredite, as biqueiras não estão só nas favelas. Existe uma bem perto de você.

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