A Loucura Criativa de Adolf Wölfli


Vincent Van Gogh, Virginia Woolf, Ernest Hemingway e os nossos Bispo do Rosário e Clarice Lispector são alguns dos exemplos mais conhecidos de pessoas geniais que sofriam de doenças psicológicas. Mas há ainda um grande número de artistas que buscam a criatividade em artifícios que os tiram de seu estado normal de consciência.
Segundo Aristóteles, “aqueles que se tornam eminentes têm todos uma tendência à melancolia”. Isso talvez explique a longa lista de artistas e criadores que morrem de overdose ou são vítimas de depressão.
Mas a loucura está diretamente ligada à criatividade e a genialidade?


Nas artes plásticas esses outsiders estão cada vez mais em alta e há muitos colecionadores procurando por obras Art Brut, nome criado em 1945 pelo francês Jean Dubuffet para designar a arte produzida por criadores livres da influência de estilos e das imposições do mercado de arte.
Fundador da Companhia de Arte Bruta, Dubuffet colecionava obras produzidas por criadores fora do meio artístico: com distúrbios sociais e comportamentais, depressivos e principalmente internos em hospitais psiquiátricos onde eventualmente a arte era usada como forma de tratamento.
Para Dubuffet o suíço Adolf Wölfli (1864-1930), era o símbolo da Arte Bruta. Wölfl viveu em um hospício dos 31 aos 66 anos, período em que produziu um grande número de desenhos caracterizados por uma complexidade, intensidade e detalhismo impressionantes.


Vítima de violência e abuso sexual quando criança,  Wölfli ficou órfão aos 10 anos e passou toda sua adolescência em orfanatos. Durante sua juventude envolveu-se várias vezes em tentativa de abuso contra crianças e foi internado em 1895 em um hospital psiquiátrico em Berna, de onde nunca mais sairia.


Relatos dos médicos que o acompanhavam dizem que ele recebia todos os dias pela manhã papel e 1 lápis. Wölfli desenhava tão freneticamente que um lápis não durava 2 dias. No Natal ele ganhava uma caixa de lápis de cor, que seria consumida em menos de 2 semanas. Ele também vendia alguns desenhos para visitantes da clínica para poder comprar mais papel e lápis.


Em 1908 Wölfli começou a trabalhar em uma auto-biografia de 2.500 páginas que envolviam poesia, prosa, música e 1.600 desenhos que continham relatos reais de sua vida e também alucinações fantasiosas.




Suas obras hoje estão na Fundação Adolf Wölfli no Museu de Belas Artes de Berna.

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